Foto: Fábio Castelo
Produção: Inah Ramos e Gleise PratesPor que o carboidrato, presente nos derivados de trigo, é tão importante para a alimentação saudável? A endocrinologista carioca Silvia Bretz, membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica. Ela afirma que, mesmo quem está em guerra com a balança, precisa consumir pão, macarrão e outros alimentos com esse nutriente para manter o corpo e a saúde desde, é claro, que faça isso sem exageros. Comer de forma equilibrada e praticar exercícios ainda é a melhor saída para emagrecer. Veja o que diz a especialista:
Manter o metabolismo acelerado é essencial para a perda de peso. De que forma o carboidrato contribui para isso?
A principal função dele é fornecer energia para o organismo. A proteína também tem esse papel, porém em doses menores. Só para ter uma ideia, se o corpo fosse um carro abastecido com 1 litro de carboidrato ele conseguiria rodar 10 quilômetros. Com a mesma quantidade de proteína, ele percorreria apenas metade do percurso.
Por que isso acontece?
O carboidrato é armazenado no sangue sob a forma de glicose, que garante energia a jato, e no fígado e no músculo, como glicogênio, fundamental para a manutenção de esforços prolongados e intensos. Por isso, quando não se comem massas e afins, o organismo vai buscar o combustível que falta nos músculos, o que leva a fraqueza, desânimo, tontura, sonolência, mau humor, irritabilidade, déficit de atenção e de raciocínio. A longo prazo, esse regime provoca a carência de vitaminas e minerais, que traz ainda mais problemas, como perda do brilho da pele e do cabelo, sangramento gengival, alterações na visão e no crescimento dos pelos, estresse e até depressão.
Mas não dá para negar que dietas ricas em proteína, como a do Dr. Atkins e a South Beach, emagrecem rapidinho.
É, mas o preço que se paga por isso é alto. Afinal, a perda acelerada de peso se deve à redução da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas que, entre outras funções, desperta a fome. Porém o corte radical dos derivados do trigo faz com que o metabolismo queime as proteínas que estão armazenadas nos músculos. Diante desse quadro, a pessoa realmente começa a perder peso, mas se transforma no que chamamos de falso magro. Ou seja, o ponteiro da balança diminui, mas a porcentagem de gordura aumenta e a de massa magra cai.
Como, então, emagrecer sem abrir mão do carboidrato?
É pura matemática: basta gastar mais calorias do que você ingere. Ficar atento ao que se coloca no prato também é essencial. Na prática, é preciso consumir em cada refeição entre 50 e 60% de carboidrato (pães, massa, bolacha, frutas), de 15 a 20% de proteína (carnes, leite e derivados, feijão, soja) e de 20 a 25% de gordura (azeite, margarina e óleos vegetais).
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