Trigo é saude

Trigo é saude

A vitoriosa história do trigo

Como o cereal cultivado pelos povos da Mesopotâmia se tornou o alimento preferido dos antigos e espalhou-se pela Europa e pelo resto do mundoPor Martha San Juan França

Foi no Oriente Médio que o homem, pela primeira vez, começou a desenvolver a agricultura e a criação dos animais. E, quando se fala em agricultura, está se falando de cereais. Não um, mas vários. Qual foi o primeiro da lista: o sorgo, a cevada, o centeio ou o trigo? Não se sabe. Mas, seja qual for, há cerca de 10 mil anos, eles já eram plantados nessa região, que hoje se estende do Egito ao Iraque e, não sem motivo, foi batizada pelos historiadores de Crescente Fértil. De lá, esses cereais se espalharam pelo mundo.

As sementes mais antigas de trigo já encontradas datam de 6700 a.C. e foram plantadas pelos povos que habitavam a antiga Mesopotâmia. Os grãos eram misturados com peixes, castanhas, frutas e água, numa espécie de papa levada ao fogo. Não parecia uma receita muito apetitosa. Bem diferente do pão, nascido da inventividade dos egípcios. Por volta de 4000 a.C., eles já tiravam proveito do processo de fermentação do trigo, processo que, aliás, também era utilizado na fabricação do vinho e da cerveja. Os egípcios descobriram o que hoje todo mundo que bate um bolo sabe: a farinha feita dos grãos de trigo ganhava volume quando se adicionava o levedo à massa levada ao forno.

Além de servir à população, os pães ou os biscoitos egípcios eram preparados de forma mais caprichada como uma oferenda aos deuses e utilizados em rituais mágicos - às vezes, moldados como formas humanas e animais. Mais tarde, a receita da massa se espalhou pelos povos vizinhos, fazendo com que o pão se tornasse o alimento símbolo das civilizações mediterrâneas. A tal ponto que os antigos gregos e romanos viam nele o equilíbrio perfeito de todos os elementos da natureza. Na tradição cristã, o pão e o vinho, por sua vez, foram usados para simbolizar a vida na Eucaristia. Na Páscoa judaica, o pão ázimo (assado sem fermento) tornou-se uma comida obrigatória.

Tanta história levou ao nascimento das padarias na Europa e à expansão do cultivo do trigo para zonas mais frias, onde a planta se aclimatava melhor, como a Polônia e a Rússia. Por onde se espalhou, o trigo se tornou vitorioso, a tal ponto que os povos que se destacaram na colheita e no comércio dos grãos dominaram com mais facilidade os que eram mais carentes do cereal. Com o tempo, e o desenvolvimento de novas tecnologias, como a rotação de culturas e a criação dos moinhos de vento, houve o aumento de produtividade. No século 15, a planta foi levada na bagagem dos grandes navegadores que chegaram à América.

Do outro lado do mundo, o trigo fez sucesso até em terras asiáticas, que, se imagina, tenham olhos apenas para o arroz. Quem não sabe a história de Marco Polo, que, no século 13, esteve na China, de onde teria trazido o macarrão para a Itália? A história pode ser apenas uma lenda, mas os chineses já conheciam o trigo cerca de 2 mil anos antes de Cristo e aprenderam a fazer, com a farinha, pão no vapor, macarrões, pastéis e uma grande variedade de massas que hoje fazem parte da culinária oriental mais apreciada.

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