Ilustração: Nik
As boas recordações se tornam excelentes companheiras e ajudam a fazer da terceira idade uma fase especial. Mas isso só é possível se o cérebro estiver com a saúde em dia. A receita para manter a memória em funcionamento tem a ver com uma série de fatores, entre eles, a alimentação. É o que mostra uma pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, sobre o impacto da dieta nas funções cerebrais. O resultado confirma que dietas pobres em carboidratos prejudicam a memória e o raciocínio. Os voluntários que cortaram pães, massas e açúcares das refeições tiveram redução tanto da memória espacial como da visual.
Faz sentido: os carboidratos são nutrientes essenciais para o organismo por conter glicose, uma grande fornecedora de energia. E o cérebro, que comanda tudo, também depende deles para funcionar bem. “Os níveis da glicose, presente nesse grupo de alimentos, precisam se manter estáveis no cérebro para que ele exerça todas as suas atividades”, explica o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. “E é o carboidrato, principalmente do subtipo complexo, que vai garantir essa estabilidade.””
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Presentes em alimentos como batata, arroz e derivados de trigo, como pão e macarrão, os carboidratos complexos, com maior número de moléculas de glicose, são, por isso, absorvidos lentamente, evitando as grandes elevações e quedas dos níveis glicêmicos. Os carboidratos simples, encontrados na sacarose do açúcar branco e na frutose, presentes nas frutas e no mel, são digeridos rapidamente, fazendo com que os níveis de açúcar no sangue aumentem de forma a liberar insulina.
De acordo com Durval Ribas Filho, além de a memória exigir uma grande quantidade de energia para funcionar, portanto, de carboidrato, ela depende da produção de serotonina, molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro. Esse neurotransmissor é sintetizado do triptofano, aminoácido também presente no carboidrato, como pão integral e macarrão. “A serotonina ativa os neurônios e interfere na plasticidade do cérebro, permitindo a formação dos circuitos neuronais”, esclarece o médico. “Sem essa rede por onde passam os impulsos nervosos, a memória fica prejudicada.”