Crédito foto: Bruno Gabrieli
Por Regina Célia Pereira, direto do Rio de Janeiro
O papel do carboidrato na obesidade foi um dos temas abordados
no XVIII Congresso Internacional do Trigo, promovido pela Associação
Brasileira da Indústria do Trigo, a Abitrigo, e realizado nos dias 16, 17 e 18 de
outubro de 2011, no Rio de Janeiro.
Para esclarecer mitos e verdades sobre o nutriente que aparece nas
massas e nos pães, foi convidado o endocrinologista Marcello Bronstein,
professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Durante sua palestra, o expert apontou o crescimento da obesidade
no Brasil. “Hoje 40% da população está acima do peso”, contou. Por
esse motivo, aumenta cada vez mais a busca por “fórmulas mágicas” de
emagrecimento. “Dietas da moda que pregam a restrição de carboidratos
são populares, entretanto não existem estudos que mostrem sua eficácia
a longo prazo”, ressaltou. Segundo Bronstein, esses planos alimentares
costumam apresentar bons resultados apenas no começo. Afinal, são diversos
os mecanismos que levam ao ganho exagerado de peso e não dá para culpar
apenas um nutriente. A genética, por exemplo, tem grande participação.
Vale dizer que na obesidade o grande inimigo é o exagero. Aliás, em
termos calóricos, o carboidrato é igual à proteína, ou seja, oferece 4 calorias
por grama. Já a gordura tem 9 calorias, ou seja, mais que o dobro. E o álcool,
que muitas vezes nem entra na conta, soma 7 calorias na mesma medida.
“Um estudo realizado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos e
publicado em um dos mais respeitados periódicos científicos, o New England
Journal of Medicine, mostra que para emagrecer o que importa mesmo é
cortar calorias e não banir o carboidrato, como muitos apregoam”, salientou.
Modismos sem o menor fundamento científico também acabam levando à
exclusão de cereais fontes de glúten da dieta.
“É preciso separar o joio do trigo para não privar o organismo de
nutrientes importantes”, afirmou e salientou que os alimentos integrais
podem, inclusive, ser grandes aliados para combater a obesidade. “Uma
pesquisa realizada na Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados
Unidos, revela que os grãos são capazes de combater a síndrome metabólica”,
mencionou. Eles teriam impacto sobre o acúmulo de gordura na região
abdominal, ou seja, ajudam a afinar a cintura, afastam a hipertensão arterial e
contribuem para o equilíbrio do colesterol e da glicemia.