Fotos: Fábio Castelo
Produção: Inah Ramos e Gleise Prates
“Nunca mais vou poder comer doces e massas!” Esse pensamento nada saboroso, convenhamos, é o primeiro a passar pela cabeça de quem foi diagnosticado com diabete do tipo 2, aquele disparado pela resistência à insulina – que assim não consegue cumprir direito a missão de colocar o açúcar dentro das células. No tipo 1 (quando a pessoa já nasce com o problema), a frustração é a mesma – só começa mais cedo. Mas calma! Nenhum diabético precisa fechar a boca para as delícias da mesa. Graças a um método simples, batizado de contagem de carboidratos, é possível comer de tudo, fazendo simples combinações de alimentos.
Na verdade, essa técnica não é nenhuma novidade – foi desenvolvida em 1935, na Europa, mas só décadas depois, nos anos 1990, chegou ao Brasil. Naquela época, os médicos já sabiam que os carboidratos estavam presentes em quase tudo o que comemos (frutas, legumes, pães, massas, doces, refrigerantes). Quando digeridos, eles se transformam em glicose, que, se consumida em excesso, dificulta o controle da diabete.
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Diante desse quadro, os especialistas decidiram medir a quantidade de carboidratos presentes nos diversos alimentos. Descobriram, por exemplo, que um copo de leite continha 12 g de carboidratos, uma maçã possuía 15 g, 1 croissant tinha 19 g e assim por diante. A partir daí, foi só fazer as contas. “A ideia é contar quantos gramas de carboidratos o paciente consome a cada refeição e calcular a dose de insulina de que vai precisar para quebrar a glicose que os alimentos irão gerar”, explica o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.
Em geral, para cada 15 g de carboidrato, recomenda-se 1 UI (unidade de insulina). É claro que essa proporção não é a mesma para todos, pois algumas pessoas necessitam de doses maiores do hormônio. Por isso, é bom conversar com o médico antes de sair por aí fazendo cálculos. “Precisamos avaliar os hábitos do paciente, suas necessidades nutricionais, elaborar um plano alimentar e, só então, fazer a relação com a insulina que ele vai precisar”, explica Ribas Filho. “Depois, com a tabela de contagem de carboidratos na mão, o paciente pode calcular sozinho o que está comendo e a quantidade de hormônio sintético que terá de aplicar.”
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Cardápio flexível
Não é exagero dizer que a contagem de carboidratos significou uma revolução para os diabéticos. “Eles ganharam mais autonomia e mais liberdade para comer o que quiserem”, conta a endocrinologista Marília de Brito Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Mas a tabela não é um remédio. Como diz a médica, o método não deve servir de desculpas para se entupir de massas e doces. “A contagem deve ser feita com muita disciplina e não se pode abusar”, afirma Marília.
O segredo é seguir uma dieta rica em nutrientes, sem deixar nenhuma família de alimentos fora do prato. A proporção é simples. “De 55 a 65% de carboidratos, de 12 a 15% de proteínas e 30% de lipídios (gorduras), distribuídos ao longo do dia”, diz Ribas Filho. Uma dieta equilibrada, aliás, vale para todo mundo – com diabete ou não.
Veja o Manual Oficial de Contagem de Carboidratos nos alimentos da Sociedade Brasileira de Diabete em:
http://www.diabetes.org.br/educacao/docs/Manual%20Carboidratos.pdf